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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Da adaptação

Sob influência dessa idiossincrasia, colocou-se em primeiro plano a "adaptação", ou seja, uma atividade de segunda ordem, uma reatividade, chegou-se mesmo a definir a vida como uma adaptação interna, cada vez mais apropriada, a circunstâncias externas (Herbert Spencer). Mas com isto se desconhece a essência da vida, a sua vontade de poder; com isto não se percebe a primazia fundamental das forças espontâneas, agressivas, expansivas, criadoras de novas formas, interpretações e direções, forças cuja ação necessariamente precede a "adaptação"; com isto se nega, no próprio organismo, o papel dominante dos mais altos funcionários, aqueles nos quais a vontade de vida aparece ativa e conformadora. Recorde-se o que Huxley criticou em Spencer- o seu "niilismo administrativo": mas trata-se de bem mais que de mera "administração"...

Nietzsche em Genealogia da Moral

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Do homem contemporâneo

Hoje nada vemos que queira tornar-se maior, pressentimos que tudo desce, descende,torna-se mais ralo, mais plácido, prudente,manso, indiferente, medíocre, chinês, cristão - não há dúvida, o homem se torna cada vez "melhor"...E precisamente nisso está o destino fatal da Europa - junto com o temor do homem, perdemos também o amor a ele, a reverência por ele, a esperança em torno dele, e mesmo a vontade de que exista ele. A visão do homem agora cansa - o que é hoje o niilismo, se não isto?...Estamos cansados do homem...


Friedrich Nietzsche em Genealogia da Moral

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Detalhes...

"Quero saber a que horas você acorda, o que come no café, que fotos estão em sua mesa de trabalho, como a sua secretária se veste. Os detalhes, os detalhes...".

Marcel Proust

domingo, 15 de novembro de 2009

Palavra

A história mostra que a paixão sustenta a literatura - mesmo quando bordeja o desespero, resvala na loucura e se torna asfixiante.

José Castello, escritor e jornalista

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Espetáculo

E sem dúvida o nosso tempo...prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... Ele considera que a ilusão é sagrada, e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado".

Guy Debord em A Sociedade do Espetáculo

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Provocações Literárias

“Toda a história era tão bonita que qualquer um preferiria que fosse verdade”.

“O jornalismo literário é como um mosaico discursivo, nele está implícito uma riqueza de pontos de vista”.

“Toda história que se conta é sempre uma história de amor, interpretamos a história por trás da história às vezes como uma impossibilidade de comunicação no contexto de nossos impulsos freudianos”.

“A literatura sempre traz com ela o amor”.

Por que o enredo, a história, deixa de ser valorizada na literatura em detrimento da linguagem?

Ultrapassar as simples dicotomias do cotidiano, algo como valorizar uma história. O que faço eu, jornalista, a não ser contar e ouvir histórias?

Segundo Mark Kramer, são oito os elementos do jornalismo literário:
Autoral
Mergulho no assunto em pesquisas
Estabelecimento de pactos claros com os leitores e as fontes
Em geral se escreve sobre fatos rotineiros
em voz íntima, informal
com estilo claro e respeitoso
Ponto de vista móvel, sem preconceitos, página em branco
Desenvolvimento de sentidos

O Globo Rural é um exemplo de jornalismo literário em mídia eletrônica. Entre 2008 e 2009 foram exibidas 135 reportagens especiais. Isso acontece já que o programa é exibido em um horário onde não há tanta pressão no ibope, além disso há uma continuidade na direção e o repórter cuida de todo processo de produção, desde a pauta até a edição final.

Desconstrução de mitos: existe vida inteligente e literatura pode ser feita na TV.

Quando dizemos que o jornalismo literário é autoral, o que dizer do jornalismo? Ele também não é algo autoral? Quais fatores mediam a denominação de autoral no literário?

“Todo amor é uma narrativa mediada por expectativas”.

Para Edvaldo Pereira Lima, o jornalismo literário deve adquirir um novo enfoque: ver a realidade de uma maneira complexa.

Jornalismo Literário e Meio Ambiente:
De que forma as matéria de meio-ambiente estão sendo feitas? O quê e como as coisas são mostradas? Gera-se um sentimento de que algo pode ser feito ou as notícias são alarmantes e só?

J.L
Ter cheiro de rua
Criar novos sentidos para o leitor
Beber de várias fontes
Se humanizar
Encontrar soluções? ..... Narrar um problema, no entanto, já é um caminho para a solução.

ARQUÉTIPO X ESTEREÓTIPO (J.L)

Fonte: que fontes usar para desconstruir estereótipos?

As mulheres fazem melhor o jornalismo literário, isto porque a área do cérebro feminino responsável pela linguagem, associação e construção de sentidos é maior do que a do cérebro masculino.

“É preciso sujar os sapatos, ir onde as coisas acontecem”. Sérgio Vilas Boas

De textos pausterizados e superficiais, é difícil surgir algo parecido com CONSCIÊNCIA.

Criatividade
Imersão
Humanização

No J.L o que uma pessoa PENSA e SENTE é notícia.

O J.L é uma forma de traduzir o ambiente cognitivo em linguagem, em narrativa, e de transportar as pessoas para lá”.

SEDUÇÃO pela PALAVRA.

J.L não é entretenimento.

PERSONAGEM, superar divisões maniqueístas...

Há sempre um PROPÓSITO, nenhuma narrativa é ingênua.

Quase como uma CARTOGRAFIA DO DESEJO (Felix Guattari - Suely Rolnik)

As coisas não devem ser absolutas, temos uma série de ferramentas que podemos usar conforme elas sejam adequadas. O lead é essencial, assim como as narrativas além dele.

Apego ao lead, pressão da periodicidade, não existem no J.L. Uma boa história pode ser narrada a qualquer momento, mas se faz importante conhecer e saber usar os dois conceitos.

O J.L faz com que a ficção sirva a certa realidade, desta se fabrica a ficção, que se volta à realidade.

REALIDADE e EXATIDÃO não existem. A IMERSÃO é o melhor caminho.

Mostre-me, não me induza. ENVOLVA-ME

Jornalismo Literário é preciso, o mais impreciso é aquele que não se diz literário.

J.L é linguagem, riqueza da construção do texto, profundidade, evaporação do humano, do lúdico, do fantástico, do tudo e do nada...

E para os que insistem em verossimilhança...
...não há nada mais inverossímil que a realidade e nada mais verossímil que a ficção.

Seduzimos estamos pela palavra, pela mais bela das histórias de amor.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Já enviou a sua carta?

Mia Couto
Não resisto em dividir com os caros navegantes a melhor, mais arrepiante e poética definição de sonho que já percorreu meus olhos carregados, já tão impregnados e dominados por letras e tons. E justo a mim que não agradam nem um pouco as definições essa me pareceu tão exata, tão explicativa, tão lúcida a ponto de vê-la como a primeira que não se faz limitada, incompleta, passível de outro olhar. Ela traz toda sensibilidade, todo lirismo, toda poesia de um autor que transborda poesia em seus textos, em suas palavras, em suas ideias. Falo do escritor moçambicano Mia Couto, que se o leitor destas linhas não conhece deve procurar conhecer o mais rápido possível, para a saúde dos sonhos, para o alimento da alma, para a satisfação dos sentidos. Assim ele fala dos sonhos em seu romance Terra Sonâmbula, conferindo à existência tudo aquilo que ela tem de mítico e onírico em meio a uma terra que não dorme, que anda sozinha nos becos da madrugada, mas que sonha e ensina a sonhar num duelo entre arte e vida, magia e realidade, tristezas que cedem lugar a cansaços. Mas vamos ao sonho, profundo...



"Os sonhos são cartas que enviamos a nossas outras, restantes vidas."

Mia Couto


E agora às vezes me pego pensando, alucinadamente, em quantas cartas serão enviadas nos mistérios desta noite para o outro lado do conhecido. Por quantas pessoas? Para onde? Não sei se eu enviarei algumas poucas ou muitas cartas ainda esta noite ou se as pessoas com quem eu sonho também enviarão as suas. Imagino para onde será que carrego as pessoas com quem eu sonho, para onde se voltam os delírios de minha madrugada. Qual será o caminho de todas estas cartas? Falo de caminho já que em alguns casos o que importa é mesmo o caminho não o destino. Este é tão irresistível, desafiador e inebriante quanto o recanto que recolhe nossas cartas. O importante é continuarmos enviando cartas e mais cartas, sem parar, sem trégua, mesmo sem entender de fato o que são essas nossas outras vidas. Cartas rabiscadas, molhadas de lágrimas, carregadas de dor, coloridas de felicidade. Feliz de quem escreve com a mente muitas cartas. Delas alimenta o prosaico do cotidiano - superando a lógica dos dias - sobrevive ao cansaço do comum e pode fazer o que quiser. Ah! Nos sonhos podemos fazer tudo, absolutamente tudo o que quisermos. Não há privilégio maior. Não há carta mais gratuita, tampouco mais bonita. Que possamos enviá-las e recebê-las por toda a eternidade...

sábado, 14 de março de 2009

Uma frase para uma infinidade de pensamentos

Bertold Brecht


"Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas nao se dizem violentas as margens que o oprimem".

Bertold Brecht (dramaturgo, poeta e encenador alemão do séc. XX)

Uma vez, em muitas das maravilhosas aulas de história que tive durante o colegial, meu eterno e mais querido de todos professor de história - da vida, do amor, da filosofia, da geopolítica desse mundo confuso e desorientado, do amor e de todas as suas possibilidades - falou desta frase como sendo a primeira que ele teria pixado. Nunca esqueci a frase, tampouco a história de ela ter sido objeto de sua primeira marca urbana. O fato é que esta frase - bastante conhecida - ressoa constantemente e involuntariamente nas minhas lembranças e nos meus momentos, sempre me impressionando muito, desde a primeira vez que a ouvi ainda jovem, com muitas das ilusões e sonhos que ainda tenho.
Essa frase diz tanto...
Ela fala sobre esta relação tão tênue entre opressor e oprimido, uma realidade que marca grande parte de nossa história. Leva-nos a pensar como, muitas vezes, somos injustos com os fatos, levianos com a verdade, apressados na tomada de decisões, nos julgamentos.
É muito mais fácil ver o rio como violento, impetuoso, mas o que dizer das margens, por que não olhar as margens? Elas estão lá esmagando as águas, impondo um limite, uma fronteira, passando a ideia de controle, de posse. Quantas vezes não julgamos o rio e nos esquecemos de olhar para as margens, quantas vezes não nos confundimos em relação a quem realmente nos oprime, quem nos limita, quem nos condiciona? Essa frase mostra como tantos são injustos com outros tantos, chega a dar vergonha quando vemos que nesta realidade absurda os verdadeiros culpados são totalmente protegidos pela sua nem sempre clara visibilidade, e os inocentes sempre são os estereotipados, os agredidos, os torturados, os violentos. Como meu professor também dizia, aqueles que não passam de caso de polícia.
A cada dia percebo com mais nitidez, que para falar é preciso - antes de tudo - saber pensar alto, ver enxergando de fato, escutar ouvindo de fato, já que tantas vezes vemos sem enxergar e escutamos sem ouvir. Atentem para as margens meus caros, em alguns casos, o rio pode até ser violento por natureza - não se pode generalizar e afirmar verdades universais que às vezes acabam desmentidas pelo irrevogável passar do tempo – mas, na maioria das vezes, o rio torna-se violento e assume de forma magnífica sua impetuosidade porque as margens limitam sua extensão, anulando sua liberdade de escolha e oportunidade, e não lhe deixando outra opção!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Do contemporâneo e dos limites

O mundo informatizado está cada vez mais ignorantizado.

As verdadeiras fronteiras são as do pensamento.

Millôr Fernandes