
As melhores coisas da vida não são coisas...
São aquilo que não se entende, não se define, não se limita.
São aquilo que é anterior à vida, a qualquer sombra de percepção.
São aquilo que arrepia sem aviso, devora e fascina de forma selvagem, primitiva.
São aquilo que que passa muito rápido, e dói, machuca, desintegra...
São aquilo que nos envolve, antes de ser dito ou mostrado.
As melhores coisas da vida não são coisas...
São um silêncio mudo, um abraço desesperado, um amor gratuito
Que é corajoso e equilibrado dentro do seu equilíbrio
Doce e feroz na sua intensidade e transbordamento.
Uma loucura insana, uma pureza que queima.
As melhores coisas da vida são uma vertigem que não se controla.
Por vezes, são aquelas que nunca chegamos a realizar, aquelas pelas quais passamos uma vida inteira esperando.
Mas são maiores e mais legítimas que qualquer outra, posto que cobertas são pelo manto da verdade que não se pretende absoluta e sim coerente, saciadora de cada ponto de vista.
As melhores coisas da vida são por vezes acusadas pela inveja e ironia tristes do mundo.
São o pecado e a pureza da infância, as águas caudalosas de um rio, as arestas de formas que rompem os limites da forma.
As melhores coisas da vida são, às vezes, utópicas.
Mas a utopia é uma das formas de ser.
E SER é uma das melhores coisas da vida!
Chão verde
Vozes estranhas
A mim alheias
Teus restos me beijam
Chão branco
Lágrimas emudecidas
Pensamentos inertes
Teus sonhos me visitam
Chão verde
Alma desprendida do corpo
Corpo que te chama
Derrama brotos ainda incolores que se amam
Alma gelatinosa
Amanhece e anoitece
Entre prosas e selvagens histórias
Alma escrita
Nasce e morre
Entre letras e lágrimas insólitas
Alma cansada
Fala e cala
Escondida entre os degraus da inóspita Escada
rumo ao paraíso das almas desesperadas
que sobem sozinhas
deixando rastros de carcaças despedaçadas
Entre a minha saudade e o infinito
Há um espaço de algumas noites
De alguns fatos
Pessoas
Vozes
Cores
Sons
Que se fazem a mim tão inexpressivos
Entre a minha saudade e o infinito
Se esconde a minha pressa que tenta ser calma
O tempo
O vento
O começo
O fim dos dias
Dias a estar
Entre a minha saudade e o infinito
M.V


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